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Salão de Genebra está mais verde do que nunca

O Ipad no painel é uma das características do protótipo VW Bulli, com estilo retro. (volkswagen.com)

O Ipad no painel é uma das características do protótipo VW Bulli, com estilo retro. (volkswagen.com) (volkswagen.com)
Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

 

A missa anual do automóvel abre suas portas por dez dias a partir desta quinta-feira (3) em Genebra. Depois de dois anos de crise, o ambiente é outra vez de otimismo para as vendas do setor.

Além dos protótipos futuristas que fazem sonhar os visitantes – e a palavra conexão através do celular – a novidade sãos os carros elétricos finalmente em grande série. Em Portugal e no Brasil, as preocupações são outras.

 

O Salão do Automóvel de Genebra está comemorando 81 anos  e ainda não tem uma ruga. Pelo contrário, está em plena forma e ainda crescendo, com mais uma ala aberta este ano e chamada de Pavilhão Verde.

Depois que o automóvel passou a ser o vilão do meio ambiente nos anos 1980, muito progresso foi feito pelas montadoras. No início era marketing, mas agora ter tecnologias mais limpas é uma questão de sobrevivência.  Os motores a explosão emitem menos C02 e ainda vão evoluir, pois dominarão o mercado pelo menos nos próximos 20 anos, nas previsões mais cautelosas.

Híbridos são alternativa

A prova está novamente no salão 2011, com a multiplicação dos híbridos elétricos e gasolina até nas categorias superiores como Porsche, acreditando “que entre seus fiéis clientes, existe uma demanda por essa tecnologia”.

A maior novidade entre os híbridos é da Peugeot: uma versão do modelo 308 diesel e elétrico. A boa notícia para o consumidor é que os híbridos começam a ter preços abordáveis: o Honda Jazz (Fit no Brasil e nos EUA), deve ser comercializado na Suíça por 25 mil francos.

“A tecnologia híbrida é hoje o meio mais eficaz e mais barato de reduzir as emissões de CO2”, afirma o diretor da Honda Europa,  Ken Kair. A montadora japonesa tem atualmente seis modelos híbridos no mercado.

Elétricos já

Nos elétricos, os franceses estão mais avançados e visados como foi o caso recente de espionagem na Renault, com demissão de dois altos executivos, justamente da tecnologia elétrica. Ninguém quer falar disso na Renault porque o caso ainda está em investigação na justiça.

“A partir deste ano, a Renault e sua parceira Nissan vão comercializar uma linha completa de veículos elétricos”, afirma Tierry Kostas, diretor do programa elétrico da Renault. “Mesmo considerando a emissão de CO2 na produção de eletricidade, os veículos emitirão, em média, 12 gramas de CO2 por km, dez vezes menos do que o melhor motor térmico”, acrescenta.

Nos próximos meses três carros elétricos estarão disponíveis no mercado europeu: o Citröen C-Zero, o Peugeot ION e o Mitsubishi Miev. Custam em média 50 mil francos suíços, o que ainda é caro para a categoria.

A partir de setembro saem o Renault Fluence, o Nissan Leaf, o Opel Ampera e o Chevrolet Volt. Para o ano que vem estão previstos o Ford Focus elétrico e o Renault Tuizy, um novo modelo urbano de dois lugares.

Os alemães estão mais atrasados no setor. Martin Winterkorn, presidente do grupo Volkswagen diz que a “eletromobilidade em série sairá em 2013” e que a empresa pretende “ser líder no setor até 2018”. Garante ainda que os carros terão preços abordáveis e que o objetivo “ é que os elétricos sejam 2 a 3% dos modelos Volkswagen.”

Portugal e a crise

Em Portugal a preocupação maior é com a crise econômica provocada pelo endividamento do país. Miguel Tomé, diretor de Comunicação e Assuntos Institucionais da GM Portugal estima que haverá queda de vendas este ano de aproximadamente 20% para todo o setor.  “Mesmo nesse cenário, a GM busca reforçar sua posição porque tem uma gama de produtos entre as melhores do mercado português. Estamos otimistas apesar das dificuldades”. Michel Tomé explica que, juntas, a Opel e a Chevrolet tem 9,7% do mercado português, “com expectativa de subir à médio prazo, pois sabe-se que essa crise não será resolvida em meses.”

Brasil insiste no motor flex

Marcus Brier, diretor de Relações Externas da Peugeot do Brasil, diz que a estratégia mundial da Peugeot é trabalhar com vários tipos de tecnologia.  No Brasil, com a matriz energética do etanol, o enfoque continua sendo o da tecnologia flex. “O consumidor arbitra o que é mais em conta para ele entre o etanol e a gasolina e todos os nossos modelos são equipados com a tecnologia flex.”

Quanto a saber se os híbridos e os elétricos chegarão ao Brasil brevemente, Marcus Brier responde que “somos tributários das legislações nacionais. Como temos essas tecnologias aqui na Europa, estamos preparados para a demanda se a legislação mudar, mas, por enquanto, o foco é para o flex e o biodiesel”. Este ano , a fábrica da Peugeot completa dez anos em Vila Real (RJ), com 3% do mercado brasileiro. “A meta é ter 5% dentro de três anos.”

Todas as montadoras têm estratégia de expansão sobretudo nos países emergentes do BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. De 900 milhões de veículos em circulação atualmente no mundo, a estimativa é de ter 1,5 bilhão em 2030. Para não asfixiar o planeta, o desenvolvimento das tecnologias mais limpas é complementar e indispensável.

 

Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

 

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