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Empresa nega que radiação em usina seja 10 milhões de vezes

acima do normal

AFPTécnicos trabalham na sala de controle do reator 2 de Fukushima

A empresa que controla a usina nuclear de Fukushima, no leste do Japão, negou neste domingo que os níveis de radiação na água localizada próximo do reator 2 da usina estejam 10 milhões de vezes acima do normal, como foi informado anteriormente.

De acordo com a Tokyo Electric Power Company (Tepco), a água localizada abaixo do reator 2 certamente está contaminada, mas não no nível divulgado pela Agência de Segurança Nuclear japonesa. A Tepco informa que outra leitura da água está sendo feita.

Segundo o correspondente da BBC em Tóquio Mark Worthington, apesar da incerteza sobre os números, é certo que a radiação constatada na água de Fukushima neste domingo é a maior desde o início da crise nuclear.

Worthington afirma que o nível de radiação da água no reator 2 é tão alta que os trabalhadores no local estiveram expostos, em apenas uma hora, a uma radioatividade quatro vezes maior do que a dose máxima para um ano inteiro.

Devido ao suposto aumento no nível de radiação em Fukushima, os funcionários que tentavam bombear a água para fora do reator 2 foram retirados do local, para evitar a contaminação.

Segundo a Agência de Segurança Nuclear, existe uma grande possibilidade de que a água radioativa esteja vazando diretamente de dentro do reator.

A usina sofreu graves danos com o terremoto de magnitude 9,0, seguido por um tsunami, ocorrido no último dia 11. O sistema de refrigeração dos reatores acabou sendo desligado, trazendo risco de vazamento de material radioativo.

Água do mar

A Agência de Segurança Nuclear informou ainda que o nível de radiação na água do mar próximo à usina aumentou para 1.850 vezes acima do normal. Nesse sábado, o nível era de 1.250 vezes além do limite permitido em lei.

No sábado, a agência afirmou que estes níveis de radiação não trariam risco em um período superior a oito dias. No entanto, segundo o repórter da BBC, o aumento da radioatividade em poucas horas já causa preocupação – ainda mais porque a origem do vazamento é desconhecida.

A identificação da origem do vazamento de água contaminada continua sendo a maior prioridade das equipes em Fukushima, segundo afirmou a agência. Existe a suspeita de que a água radioativa esteja saindo dos reatores e indo diretamente ao mar.

Por outro lado, as autoridades dizem que os níveis de radiação no ar próximo à usina estão em queda.

O governo também se desculpou pela falta de informações detalhadas para as pessoas que moram nas áreas mais próximas de Fukushima, mas afirmou que não existe necessidade imediata de estabelecer uma zona de evacuação no local.

Resfriamento

A Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que administra a usina, afirma que continua trabalhando para restabelecer a energia elétrica e para religar o sistema de resfriamento nos reatores.

No entanto, a companhia alega que os altos níveis de radiação no local estão tornando mais lento o progresso dos trabalhos.

Os trabalhadores da Tepco continuam bombeando água fresca para dentro dos reatores 1, 2, 3 e 4, na tentativa de conter o derretimento dos cilindros de material radioativo.

Pesquisa

Uma pesquisa realizada pela agência de notícias Kyodo, divulgada neste domingo, aponta que 58,2% dos entrevistados desaprova a maneira como o governo japonês respondeu à crise nuclear, enquanto 39,3% aprovaram as ações das autoridades.

Por outro lado, 57,9% das pessoas consultadas aprovam a maneira como o Estado lidou com a ajuda às vítimas do terremoto e do tsunami do último dia 11. Já foram confirmados mais de 10 mil mortos pela tragédia. Os desaparecidos chegam a 18 mil.

Ainda segundo a pesquisa, o nível de aprovação do primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, chegou a 28,3%, um aumento de 8,4 pontos percentuais em relação ao levantamento passado, realizado antes do terremoto.

 

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