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As portas da percepção de Juan Godoy

Ana Echevenguá
“… Não importa se só tocam O primeiro acorde da canção A gente escreve o resto Em linhas tortas Nas portas da percepção Em paredes de banheiro Nas folhas que o outono leva ao chão Em livros de história Seremos a memória Dos dias que virão (se é que eles virão)…”. Humberto Gessinger


Estive no Espaço Cultural da Megastore da Livrarias Catarinense, para apreciar a exposição Neo Impressionismo Abstrato, de Juan Godoy. São 12 telas impressionantes. Belas, incisivas e inesquecíveis.

Ao olhar uma delas, lembrei-me das profecias de 2012. Vi retratada a memória dos dias que virão. Uma grande explosão amarela, quase cobrindo a tela. Como garantia da continuidade da vida, manchas verdes que parecem folhas bailando no ar, diferentes das que o outono leva ao chão.    

Em sua casa, em Lages-SC, tive acesso a vários exemplares de sua produção artística. Uma mais bela do que a outra! Godoy contou-me que pinta com as mãos. Abertas as portas da percepção, a arte flui e a obra nasce.

Soube que ele também é poeta; desde a adolescência. Aos 14 anos de idade, realizou sua primeira exposição na Biblioteca Pública de Lages. Poeta premiado. Pintor reconhecido pelos principais críticos de arte como um dos expoentes da arte contemporânea nacional. Suas obras estão em diversos acervos e museus, dentro e fora do Brasil.

Naquela tarde fria de inverno, à beira do fogão à lenha, ouvi suas poesias. Datilografadas em papéis amarelados pelo tempo… documentos que resguardam a sensibilidade e a magia do conjunto de palavras habilmente eleitas, sutilmente combinadas… 

Godoy é dotado de uma tranqüilidade contagiante. Ao falarmos sobre defesa do que resta dos nossos recursos naturais, ele assim discorreu: “A Humanidade possui um grande desafio, que é vivenciar a nova realidade onde estamos: no limiar entre a escuridão e a luz. Portanto, tudo que se possa superar – em termos das dificuldades inerentes ao nosso dia a dia -, passa essencialmente por um só caminho: o Amor. Amor incondicional. Este é o caminho da superação, da vitória, da essência real em nossas vidas. Eu admito que foco muito em coisas críticas. Porém, tenho, por outro lado, uma dedicação às coisas que me parecem necessárias ao meu semelhante e à minha pessoa como cidadão. Luto não só pelas causas próprias. Luto pelas causas da Humanidade, do Planeta, apesar das resistências enormes que encontro. Não importa! O principal é lutar; e lutar por causas essenciais à Humanidade!!”

Esta luta deve ser o grande catalisador da expressão artística de Godoy. E confirma o que disse o escritor Aldous Huxley (autor de As Portas da Percepção) numa entrevista à Paris Review, em 1960. Ao ser questionado sobre a relação entre o processo criativo e o uso de drogas, respondeu: “Para a maioria das pessoas é uma experiência significativa e eu suponho que de um modo indireto pode ajudar no processo criativo. Mas não acredito que alguém possa se sentar e dizer ‘Eu quero escrever um poema brilhante e por isso vou tomar ácido lisérgico’. Não acho, de maneira alguma, que você vai atingir o resultado esperado.”

Ana Echevenguá – advogada ambientalista – OAB/SC 17.413
ana@ecoeacao.com.br
Instituto Eco&Ação – www.ecoeacao.com.br